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Conto brasileiro

“[...]
- Eu não tenho tempo de ler livro.
- Claro que tem. Agora, por exemplo. Por que você não tá lendo?
- Questão de princípios. Como eu não transo em biblioteca, eu não leio livro na cama.”

Os melhores momentos de “Os Normais” / Alexandre Machado, Fernanda Young. — Rio de Janeiro : Objetiva, 2002. — 158 p. — Trecho retirado da orelha.

“[...] um jeito abafado, sem fôlego como uma boca querendo gritar, mas com uma mão tapando, os sons espremidos saindo por entre os dedos.” (p. 234)

O moço do saxofone / Lygia Fagundes Telles. — p. 233-238.
In Os cem melhores contos brasileiros do século / Italo Moriconi. — Rio de Janeiro : Objetiva, 2001. — 618 p.

“[...] como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.” (p. 313)

Felicidade clandestina / Clarice Lispector. — p. 312-314.
In Os cem melhores contos brasileiros do século / Italo Moriconi. — Rio de Janeiro : Objetiva, 2001. — 618 p.

“[...] e pensou com medo e quase desespero que iam contar outras piadas e ele teria de rir e não estava com vontade nenhuma de rir e havia mais de uma hora já que sua boca estava rindo e sorrindo sem parar e ele não agüentava mais e então pediu licença e atravessou a sala e a copa e o corredor sozinho sentado na quina da banheira olhando para a porta trancada e pensando que pelo menos durante alguns minutos não teria que sorrir ou de falar ou de apertar a mão de alguém ele pela primeira vez naquela noite sentiu um pouco de felicidade.” (p. 61)

Felicidade / Luiz Vilela. — p. 59-61.
In O novo conto brasileiro : antologia crítica com anotações e exercícios gramaticais / Malcolm Silverman. — Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1985.

“sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?” (p. 89)

Para uma avenca partindo / Caio Fernando Abreu. — p. 86-90.
In O ovo apunhalado / Caio Fernando Abreu. — Porto Alegre : Globo, 1975. — (Coleção sagitário)