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“Depois se lembrou de que estava brigado comigo e não podia ter nenhum prazer em me comunicar suas descobertas”. (p. 30)

“As tarefas que se baseiam numa tenacidade interior devem permanecer mudas e obscuras; por pouco que alguém as anuncie ou delas se vangloria, tudo parece supérfluo, sem sentido ou até mesquinho. Assim, tão logo meu irmão pronunciou aquelas palavras, arrependeu-se de tê-las dito, e não lhe importava mais nada, e teve até vontade de descer e acabar com aquilo”. (p. 50)

“[...] momento desesperado de quem venceu a primeira vez e agora sabe que desgraça é vencer, e sabe que doravante será obrigado a continuar no caminho que escolheu e não lhe será dada a salvação de quem falha”. (p. 60)

“Em resumo, soube tornar o amor por este elemento arbóreo, como acontece com todos os amores verdadeiros, também sem piedade e doloroso, que fere e corta para fazer crescer e dar forma”. (p. 120)

“Viola estendeu-se na pele de javali.
- Trouxe outras mulheres aqui?
Ele hesitou. E Viola:
- Se não trouxe outras mulheres você é um banana.
- Sim… Algumas…
Levou uma bofetada no rosto com a mão cheia.
- Era assim que me esperava?” (p. 184)

“Ele a conheceu e a si própio, pois na verdade jamais soubera quem fosse. E ela o conheceu e a si própria, pois, mesmo já se conhecendo, nunca pudera se reconhecer assim”. (p. 185)

“- Por que me faz sofrer?
- Porque o amo.
Agora era ele quem se enfurecia.
- Não, não me ama! Quem ama quer a felicidade, não a dor.
- Quem ama só quer o amor, mesmo à custa da dor.
- Então me faz sofrer de propósito.
- Sim, para ver se me ama.” (p. 191)

“[...] em suma aproximavam-se tempos talvez mais tolerantes, todavia mais hipócritas”. (p. 194)

“- Você não acredita que o amor seja dedicação absoluta, renúncia de si mesmo…
[. . .]
- Não pode haver amor se não somos nós mesmos com as nossas próprias forças.
[. . .]
- Pois então, seja você mesmo sozinho.
‘Mas então ser eu mesmo não faz sentido…’ [...]” (p. 206)

O barão nas árvores / Italo Calvino ; tradução de Nilson Moulin. — São Paulo : Companhia das letras, 1991. — 254 p.

“Qualquer encontro de dois seres no mundo é um dilaceramento.” (p. 64)

O visconde partido ao meio / Italo Calvino. — Rio de Janeiro : Expressão e cultura, 1970 — 118 p.

“Viu o pé descalço, erguido no meio do capim como uma palma de figueira-da-índia, e, pressionando o pé, o porco-espinho.
- Ô, pé – começou a dizer Gurdulu -, pé, ei, estou falando com você! O que está fazendo aí plantado feito um idiota? Não vê que esse animal lhe espeta? Ei, pééé! Ei, estúpido! Por que não vem pra cá? Não sente que o machuca? Imbecil de um pé! Basta tão pouco, basta que se desloque um tantinho assim! Mas como é possível ser tão imbecil? Pééé! Escute o  que estou falando. Mas olhe só como se deixa massacrar! Mas vem pra cá, idiota! Como vou lhe dizer? Preste atenção: observe como eu faço, já lhe mostro como tem que fazer… – E, dizendo isso, dobrou a perna, puxando o pé para si e afastando-o do porco-espinho. – Pronto: era tão fácil, bastou que lhe mostrasse como se faz e você também conseguiu. Pé estúpido, por que se deixou espetar tanto tempo?” (p. 29)

“‘Estou aqui, jovem, pleno amor, como pode meu amor não agradar-lhe, que deseja essa que não me toma, que não me ama, que mais pode querer além daquilo que sinto poder e dever dar-lhe?’, e assim se enfurece e não consegue aceitar e num certo ponto a paixão por ela é também paixão por si próprio, é o apaixonar-se por aquilo que poderiam ser os dois juntos e não são.” (p. 72)

“[...] mas essa resposta tão calma, que não negava a possibilidade dos fatos mas excluía qualquer discussão por uma questão de princípio, era desencorajadora.” (p. 97)

O cavaleiro inexistente / Italo Calvino ; tradução Nilson Moulin. — São Paulo : Companhia das Letras, 2007. — 115 p. — (Companhia de bolso).