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“Com seres como esses não se pode praticar a caridade de modo coerente; por isso nas sociedades filantrópicas as autoridades são todas famas e a bibliotecária é uma esperança.” (p. 116)

Filantropia / Julio Cortázar.
In Histórias de cronópios e de famas. — São Paulo : Círculo do Livro, c1964. — 138 p.

“Quando os famas saem em viagem, seus costumes ao pernoitarem numa cidade são os seguintes: um fama vai ao hotel e indaga cautelosamente os preços, a qualidade dos lençóis e a cor dos tapetes. O segundo se dirige à delegacia e lavra uma ata declarando os móveis e imóveis dos três, assim como o inventário do conteúdo de suas malas. O terceiro fama vai ao hospital e copia as listas dos médicos de plantão e suas especializações.
Terminadas estas providências, os viajantes se reúnem na praça principal da cidade, comuunicam-se suas observações e entram no café para beber um aperitivo. Mas antes eles se seguram pelas mãos e dançam em roda. Esta dança recebe o nome de Alegria dos famas.
Quando os cronópios saem em viagem, encontramos hotéis cheios, os trens já partiram, chove a cântaros e os táxis não querem levá-los ou lhes cobram preços altíssimos. Os cronópios não desanimam porque acreditam piamente que essas coisas acontecem a todo mundo, e na hora de dormir dizem uns aos outros: “Que bela cidade, que belíssima cidade”. E sonham a noite toda que na cidade há grandes festas e que eles foram convidados. E no dia seguinte levantam contentíssimos, e é assim que os cronópios viajam.
As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens e são como as estátuas que é preciso ir ver porque elas não vêm até nós.”
(p. 109)

Viagens / Julio Cortázar
In Histórias de cronópios e de famas. — São Paulo : Círculo do Livro, c1964. — 138 p.

“Somos uma família estranha. Neste país onde as coisas se fazem por obrigação ou fanfarronada, gostamos das ocupações livres, das tarefas sem importância, dos simulacros que de nada adiantam.” (p. 31)

Simulacros / Julio Cortázar.
In Histórias de cronópios e de famas. — São Paulo : Círculo do Livro, c1964. — 138 p.

“A fuga era uma maneira suja de aceitar o inaceitável [...]” (p. 30)

Fim de etapa / Julio Cortázar.
In Fora de hora / Julio Cortázar. — Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1985. — 182 p.

“Acho que as mulheres tricotam quando encontram nesse trabalho o grande pretexto para não fazer nada.” (p. 8)

“[...] seu jeito de vaca de mexer devagar a cabeça, ruminando as palavras com sabor de bolo vegetal.” (p. 61)

Bestiário / Julio Cortázar. — São Paulo : Edibolso, 1977c. — 109 p.