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“Viu o pé descalço, erguido no meio do capim como uma palma de figueira-da-índia, e, pressionando o pé, o porco-espinho.
– Ô, pé – começou a dizer Gurdulu -, pé, ei, estou falando com você! O que está fazendo aí plantado feito um idiota? Não vê que esse animal lhe espeta? Ei, pééé! Ei, estúpido! Por que não vem pra cá? Não sente que o machuca? Imbecil de um pé! Basta tão pouco, basta que se desloque um tantinho assim! Mas como é possível ser tão imbecil? Pééé! Escute o  que estou falando. Mas olhe só como se deixa massacrar! Mas vem pra cá, idiota! Como vou lhe dizer? Preste atenção: observe como eu faço, já lhe mostro como tem que fazer… – E, dizendo isso, dobrou a perna, puxando o pé para si e afastando-o do porco-espinho. – Pronto: era tão fácil, bastou que lhe mostrasse como se faz e você também conseguiu. Pé estúpido, por que se deixou espetar tanto tempo?” (p. 29)

“‘Estou aqui, jovem, pleno amor, como pode meu amor não agradar-lhe, que deseja essa que não me toma, que não me ama, que mais pode querer além daquilo que sinto poder e dever dar-lhe?’, e assim se enfurece e não consegue aceitar e num certo ponto a paixão por ela é também paixão por si próprio, é o apaixonar-se por aquilo que poderiam ser os dois juntos e não são.” (p. 72)

“[…] mas essa resposta tão calma, que não negava a possibilidade dos fatos mas excluía qualquer discussão por uma questão de princípio, era desencorajadora.” (p. 97)

O cavaleiro inexistente / Italo Calvino ; tradução Nilson Moulin. — São Paulo : Companhia das Letras, 2007. — 115 p. — (Companhia de bolso).

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