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“Não tinha nada de cínico e sentia vergonha de mentir; a simplicidade brutal da mentira lhe repugnava; se a mentira era indispensável, pelo menos queria que ela tivesse a maior semelhança possível com a verdade.” (p. 204)

“[…] mas é sempre o que acontece na vida: imaginamos representar um papel numa determinada peça e não percebemos que os cenários foram discretamente mudados, de modo que, sem saber, devemos atuar num outro espetáculo.” (p. 224)

“[…] mas o que era pior, bem pior (disse subitamente a si mesmo), é que ele próprio não era senão uma sombra de todos esses personagens fantasmagóricos, pois esgotava todos os recursos de sua inteligência com o único objetivo de se adaptar a eles e de imitá-los, e por mais que os imitasse com um riso secreto, sem levá-los a sério, por mais que se esforçasse desse modo para ridicularizá-los secretamente (justificando assim seu esforço de adaptação), isso não mudava nada, pois uma imitação, mesmo maldosa, é sempre uma imitação; mesmo uma sombra que debocha continua sendo uma sombra, uma coisa secundária, derivada, miserável.” (p. 234)

Eduardo e Deus / Milan Kundera. — p. 199-236.
In Risíveis amores / Milan Kundera. — 23. ed. — Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1985. — 236 p.

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