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“Apesar da alegria que proporciona a presença do ser amado, é preciso estar só para senti-la em sua plenitude.” (p. 74)

“No jogo, o homem não é livre, para o jogador o jogo é uma armadilha; se não se tratasse de um jogo, e se fossem um para o outro dois desconhecidos, a garota da carona já poderia ter-se ofendido há muito tempo e partir; mas não há meios de escapar a um jogo; o time não pode fugir do campo antes do fim; os peões do jogo de xadrez não podem sair das casas do tabuleiro, os limites do campo são intrasponíveis. A moça sabia que era obrigada a aceitar qualquer coisa pelo simples fato de que se tratava de um jogo. Ela sabia qe quanto mais longe o jogo fosse levado, mais seria um jogo e mais seria obrigada a jogar docilmente. De nada adiantaria pedir socorro à razão e avisar a alma espantada para guardar distância e não levar o jogo a sério. Justamente por ser um jogo, a alma não sentia medo, não se defendia e se abandonava ao jogo como a uma narcose*.” (p. 86)

O jogo do carona / Milan Kundera. — p. 69-91.
In Risíveis amores / Milan Kundera. — 23. ed. — Rio de Janeiro : Nova Fronteira, 1985. — 236 p.

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