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“Entre os livros da biblioteca havia um, escrito em arábico, que um soldade adquiriu por algumas moedas no Alcaná de Toledo e que os orientalistas ignoram, exceto na versão castelhana. Esse livro era mágico e registrava, de maneira profética, os feitos e palavras de um homem desde a idade de cinqüenta anos até o dia de sua morte, que ocorreria em 1614.
Ninguém encontrará aquele livro, que pereceu na famosa conflagração ordenada por um padre e um barbeiro, amigo pessoal do soldado, como se lê no sexto capítulo.
O homem teve o livro nas mãos e nunca o leu, porém cumpriu minusciosamente o destino que o árabe sonhara e continuará a cumpri-lo, sempre, pois sua aventura já é parte da vasta memória dos povos.
Será esta fantasia mais estranha que a predestinação do Islã que postula um Deus, ou que o livre-arbítrio, que nos dá a terrível potestade de escolher o inferno?”

O ato do livro / Jorge Luis Borges. — p. 332
In Obras completas : volume 3 : 1975-1985 / Jorge Luis Borges. — São Paulo : Globo, 1999 — 576 p. — Publicado originalmente em: A cifra.

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